Um pouco da caminhada até aqui (parte 5)

Um pouco da caminhada até aqui (parte 5)

Bom, continuando…

Logo o Maurício voltou da Argentina. Essa foto é de um dos primeiros ensaios de quando ele voltou. Agora estávamos com a banda completinha, pronta pra trabalhar a todo vapor.

Seguimos trabalhando. E logo veio a ideia de gravarmos um single. Tínhamos algumas músicas prontas já, mas escolhemos “Novo Lugar” pra ser o primeiro registro sonoro da TRIATHLON.

Como ‘loucos’ que somos, fizemos esse primeiro trabalho numa espécie de mix de estúdios. Gravamos a bateria, baixo, guita base e viola no estúdio Musitek, lugar que até hoje toda semana passamos lá pra ensaiar e trabalhar. A guitarra do Ítalo foi gravada no estúdio Hurricane, conhecido pela bela textura de guitarras que saem de lá. E por fim gravamos as vozes, mixamos e masterizamos no estúdio Monostereo, do grande mestre Juliano Rodriguez, estúdio que viemos depois a gravar nosso CD.

Lembro como se fosse hoje. No dia de escutar a mixagem do som estávamos nervosos com o que viria. Seria a primeira vez que escutaríamos o som que estávamos fazendo a tempos de verdade. Chegamos lá, e o Juliano deu o play, e foi de arrepiar. Foi lindo. A música terminou e aplaudimos. Méritos pra gente pelo nosso trabalho até ali, e com certeza mais méritos pra ele, que pegou todo aquele material e fez algo de encher os ouvidos.

Foi do ‘caralho’. Saímos de lá, já eram 1 da manhã, e fomos pra churrascaria Garcias, que é 24 horas, encher o ‘bucho’ e comemorar essa nova etapa.

“Novo Lugar” foi bem aceita pelo público. Um funky soul, com uma letra leve e um ritmo dançante.

Nessa época já fazíamos altos shows numa pequena casa underground de Porto Alegre. Eram festas temáticas, ou com altas promoções. Bombavam. Sempre chamávamos uma ou duas bandas pra fazer uma parceria. O importante das ‘festas’ era um som de qualidade, gente feliz e dançante, o foco era encher o lugar e fazer noites memoráveis.

Mulheres free, homens a 5 ‘mirréis’, era assim a parada, sorteio de cevas a litro, champanhe, o que de ideia viesse. Queríamos fazer noites que marcassem pelo clima bom, pela vibe boa, oferecendo o máximo de coisas que pudesse transformar uma noite underground no melhor lugar para se ir curtir uma festa.

A cena porto alegrense é ‘engraçada’. As vezes que saímos de Porto Alegre podemos ver que nos outros estados existe uma união, as bandas se ajudam, se apoiam, quererem crescer juntas. Não quero generalizar, mas o que falta aqui, em Porto, é isso. A galera da música não é unidade, esquecem que com as nossas forças unidas nos tornamos todos mais fortes. É muita panela de grupinhos, muita cabeça fechada, muito ‘nego’ com medo que fulano e ciclano roubem o espaço de um e de outro. Pensamento errado que não fortalece e faz com que a cena não cresça como poderia. Sem contar os egos, nossa, falta humildade em Porto Alegre.

Não é geral isso que falei, mas é a maioria. Quantas milhões de bandas já convidamos pra tocar com a gente, quantos shows já organizamos, quanta coisa movimentamos, e nunca sequer fomos lembrados futuramente por essa galera. Claro, tem bandas que nos apoiam e tem o mesmo pensamento que o nosso, que sabemos que podemos contar, como a Skabout de Esteio, A The Paradise Sessions daqui de Porto, rapaziada que faz uma sonzeira e é muito gente boa, devem ter algumas outras que agora não recordo, mas em maioria é isso, cada um por si e eras isso.

Eu sou do tempo que existia uma cena forte underground em Porto Alegre, onde, aparentemente, as bandas se ajudavam, movimentavam uma galera, era do caralho, e poxa, por que não é mais assim?! Pensamento triste esse que se instalou nessa cidade, regressão total.

Mas isso nunca nos abalou. É apenas ruim, triste, ‘despilhante’ saber que nossa classe vive desunida, e que por fim todo mundo perde com isso, músicos e público.

Mas bom, voltando.

Fazíamos shows além do ‘pico’ esse ‘under’, em outras festas também, em festivais, etc. Lembro que o primeiro show que fizemos não tínhamos noção de como seria a reação do público. Eramos 5 pessoas vindas do Hardcore, Rock em geral, com uma proposta nova, misturando estilos. Mas de cara a galera se identificou com essa nova proposta, e nós acostumados a ver a galera bater cabeça, agora fazíamos a galera dançar e se divertir, e isso eh sensacional.

O interessante da TRIATHLON, por mais que queiram falar, é que a nossa ideologia e o nosso foco com o que queremos com a música se mantém. Não somos pessoas que mudaram o estilo de som pra se adaptar a alguma coisa. Foi diferente. Simplesmente um certo estilo de som saiu, uma mistura se criou, mas a ideologia, seja das letras, mensagens, energia, o que for, tudo isso continua como era antes. A diferença agora é que fazemos as pessoas se divertirem e pensarem ao mesmo tempo, uma combinação um tanto interessante, pois damos duas opções pro público, que podem trabalhar em conjunto ou separadas, e cada um absorve o que quiser disso tudo naquele momento.

Eu sempre vi a música como a minha ‘arma’, a minha chance de mudar alguma coisa nesse mundo e fazer alguma coisa realmente útil na minha passada por aqui. Isso tá explicito nas letras, em tudo que eu acredito. Por isso gosto de dizer que a ‘ideologia rock’n roll’ continua no nosso som, pois essa ideologia seria o descontentamento com algumas coisas, a ‘revolta’ podemos dizer, a busca pelas soluções, o ‘tapa na cara’, esse é o caminho, e pra mim isso é o rock’n roll, não se resumindo apenas a um estilo de som, e sim a atitude que tem nele, a mensagem que ele passa, visando sempre passar algo além de entretenimento para as pessoas.

Bom, foram assim os primeiros passos da TRIATHLON. Muito trabalho até aqui, muitas descobertas…

Na sequência vem a gravação do nosso segundo single, clipe, e por aí vai.

Dalhee….

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