Um pouco da caminhada até aqui (parte 4 )

Um pouco da caminhada até aqui (parte 4 )

Essa foto é dos primeiros ensaios da TRIATHLON.

Mas vamos pelo início, pois tem coisa antes de começarmos a ensaiar.

Após o ‘término’ da S.ou.S, comecei a tocar na banda ‘Iskas’, como falei anteriormente, mas logo paramos de tocar. Fiquei um tempo meio perdido, sem saber pra que lado ir.

Até que uma noite, no estilo ‘das antiga’ (saíamos eu e o Maurício Levy pra beber, fazer a cabeça, e conversar, bolar ideias e planos a noite toda, sem rumo, sem roteiros), o papo vai, papo vem, e surge a ideia de fazermos um som livre, sem estilos, sem rótulos, trocando instrumentos, experimentando novas texturas sonoras, livres, totalmente livres pra voar.

É engraçado, pois nesse dia mesmo já surgiu o nome da banda. Nós dois tínhamos acabado de ler a biografia do Tim Maia, estávamos com toda aquela história quente nas nossas cabeças. A história musical e de vida de Tim foi um dos grandes fatores pra gente querer fazer uma proposta diferente de som, pelo menos posso falar por mim, mas aquele livro ‘abriu a minha mente’ e me deu um leque de possibilidade novas de ‘lutar’. E nós lá, na frente do Opinião, encostados num muro, copo de cerveja na mão, 5 da manha, buscando algum nome que simbolizasse esse nosso novo momento, essa descoberta que o mestre do ‘Soul’ nos proporcionou. E por que não homenagear ele?! Eram ideias pra todos os lados, quebrando a cabeça, até que surge um estalo. Nós, admiradores das madrugadas, da boemia e tudo que envolve ela, dia pós dia, noite após noite, porque que não nomearmos esse nosso projeto como Tim denominava o seu característico ritual antes dos shows?! Ritual que tem tudo de boêmio, não que façamos, mas quem vive no meio sabe e vê muita coisa acontecer na noite. E foi daí, em meio uma conversa entre dois amigos de longa data, ideias e mais ideias, que surgiu a TRIATHLON.

De cara pensamos: precisamos dum batera. Afinal, a ideia era revezarmos violões, baixos, guitarras, vozes, diversificar instrumentos, mas precisávamos de um baterista, pois nenhum de nós tem ‘feeling’ algum pra ‘ritmar’ os tão queridos tambores.

É claro que de cara pensamos no Bruno Coronel, nosso irmão e companheiro de bandas de longa data. Mas dessa vez vinhamos com uma proposta totalmente diferente de tudo que já tínhamos feito até agora. No início ele estranhou, acho que no fundo não entendeu bem ‘qualé que era da parada’. Acho que nem nós sabíamos bem o que vinha aí.

A proposta e as ideias foram iniciadas, mas ainda levou um tempo pra irmos pra um estúdio ‘abrir os trabalhos’. Até então tínhamos um batera, e eu e o Maurício nos revezaríamos entres guitarras, baixo e violão. O que íamos tocar? Tínhamos alguns rabiscos, possíveis músicas dos mais variados estilos que se possa imaginar, tinha material, mas por onde começar, não sabíamos ao certo.

Ficamos um tempo parados antes de evoluir a coisa.

Quando rolou esse papo e ‘montamos’ o projeto, lá naquela conversa na frente do Opinião, totalmente informal, o Maurício já tinha uma viajem marcada pra Argentina de 6 meses. E eu fiquei um tempo pensando: como que vou adiantar alguma coisa, sentar e esperar meio ano ele voltar não dava, e eu e o Bruno, apenas nós dois, tocar pra frente o projeto até a volta dele seria muito difícil.

Nisso me veio a ideia de que agregar um baixista à banda. Com um baixo seria possível criar uma base sólida para o projeto até a volta do Maurício. E com um ‘power trio’ (guitarra, baixo e batera) já da pra fazer milagres.

E daí que veio a ideia de chamarmos o Cauê Borella. Ele tinha um baixo, tocava no ‘Maiestas’ volta e meia, já tínhamos tocado juntos no ‘Iskas’ também, onde daí ele tocava batera, e além disso é um cara muito ‘brother’, sempre foi do caralho tocar com ele, então tinha tudo pra dar certo.

Foi nessa formação que fizemos o primeiro ensaio da TRIATHLON. Eu, guitarra e voz, Maurício Levy, violão, Cauê Borella, baixo, e Bruno Coronel, bateria.

Antes do Maurício viajar pra Argentina acho que fizemos uns 3 ensaios. A foto é de um desses primeiros ensaios. Tem algumas músicas do nosso CD que são dessa época, claro, foram repaginadas com o passar do tempo. Acho que nessa época ainda estávamos ‘encontrando’ ou ‘procurando’ o som que fazemos hoje.

E foi assim que a TRIATHLON abriu os trabalhos.

Chegou a viajem do Maurício. Nós seguimos ensaiando e criando entre nós, sempre gravando e mandando pra ele o que tínhamos produzido, coisas novas, acertos, ideias, tudo pra que ele, mesmo longe, pudesse ir pensando junto, criando , dando as ideias dele.

Tava fluindo bem, muito bem. Logo já tínhamos músicas encaminhadas, belas composições, tudo numa ‘vibe’ massa.

Foi aí que o Bruno Coronel teve a ideia de convidar, sem compromisso, o Ítalo Battistella pra fazer um ensaio com a gente. O Ítalo era guitarrista na banda de Hardcore que o Bruno tinha, um ‘puta’ dum guitarrista.

Lembro bem como se fosse hoje. Ele chegou bem tranquilo como ele é, tranquilão. Montou as coisas dele ali, analisou um pouco, e mais um pouco, escutou aqui e ali. Nós não dissemos nada, apenas: tu tá livre, faz o que tu quiser, como quiser.

Acho que isso foi a melhor coisa que podíamos ter falado. Logo aquela guitarra mágica começou a soar. Acordes, riffs, solos, tudo que tu possa imaginar, preenchendo espaços, enchendo os ouvidos, brilhando, foi lindo demais. Tudo fluiu como se tocássemos a tempos juntos, existia uma sintonia forte ali, uma energia que se criou e fluiu como o vento flui, soou como tinha que soar, foi demais, isso é música, isso é arte.

Foi maravilhoso aquele momento. Lembro que logo depois do ensaio eu disse que ele podia voltar quando quisesse, ele já tinha conquistado totalmente o espaço dele dentro da banda, ou melhor, já existia o espaço feito exatamente pra ele, milimetricamente, com nome, telefone e endereço, mas só naquele dia descobrimos isso.

O Ítalo era o cara mais ocupado do mundo nessa época, ainda é, e acho que sempre vai ser na verdade. Primeiramente lembro que a resposta dele foi meio na dúvida ainda, pois ele realmente não tinha muito tempo pra dedicar, acho que não queria abraçar um compromisso assim, no calor. Mas acho que foi a única vez que precisei meter essa pilha, pois depois ao natural, como se estivesse escrito mesmo, ele nunca mais deixou de aparecer em um ensaio, e felizmente ta aí até hoje comigo, me dando privilégio de escutar a guitarra dele cantar.

Nós gravamos esse primeiro ensaio com o Ítalo. Eu mandei pro Maurício e ele pirou, assim como nós. Curtiu muito, apoiou total, e assim chegamos ao nosso 5º integrante,

Vou parar por aqui… logo continuo!

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