Um pouco da caminhada até aqui (parte 3)

Um pouco da caminhada até aqui (parte 3)

Com a ‘S.ou.S’ entrando em um ‘hiato indefinido” ficamos um tempo sem saber muito o que ia acontecer. Em meio a isso surge uma viajem pra nossa tão querida Arambaré.

Partimos eu, Maurício e Bruno com alguns equipamentos dentro do ônibus mesmo: amplis, batera, guitarra e baixo. Lá, no belo quartinho que fica nos fundos da casa, montamos o set, calibramos nossos copos e nossa mente, e livre começamos a tocar e tocar, deixando fluir.

Esse dia posso dizer que a liberdade e o experimento tomaram conta de nós. De lá saiu reggae, ska, rock, punk, ‘pscicodelia’, muita, mas muita ‘pscicodelia’. Estávamos em meio a um ‘lindo sonho delirante’, compondo arranjos livres, num lugar maravilhoso, aflorando nossas desejos, nossos sentimentos através do som que saia de nossos instrumentos.

Não tínhamos microfone. Eram apenas nossos instrumentos, cada acorde, cada nota, transparecendo a mensagem, recheados de muita expressão, detalhes, muitos detalhes.

Foi uma experiência de total improviso. A energia leve que se criou foi incrível. Pensamos em dar sequência a esse som, transformar em um projeto. Chegamos a fazer alguns outros ensaios na volta a Porto Alegre, mas nada foi igual aquele dia mágico em Arambaré.

O problema foi que no momento que tentamos sistematizar aquele som que vinha da alma da gente, tentamos montar estruturas, lógicas, dar nomes as músicas, a parada não fluiu mais. Era um som livre de tudo isso, e só assim, com esse desapego total, visando a energia que juntos acendíamos, que ele fluía.

Mas essa nova experiência musical trouxe bons frutos.

Na faculdade conheci Cauê Borella, um brother que aos poucos se tornou um dos meus grandes amigos, daqueles irmãos pra toda vida mesmo. O Cauê tocava batera, mais na curtição mesmo, mas tocava. E em um belo dia, ou numa bela noite, resolvemos meter um ensaio sem compromisso. Não lembro onde a gente tava, mas provavelmente ‘loucos’ por aí, e resolvemos partir pra um estúdio, eu, ele e o Maurício Levy.

Não sabíamos muito o que íamos fazer. O foco era se divertir, mesmo.

Eu sou muito daqueles que acredita que além de bons músicos ao teu lado, tu precisa de pessoas com uma energia legal, a parada flui não apenas pela virtuosidade da coisa, mas muito pelo ‘feeling’ que a união de ‘x’ pessoas te proporciona.

E fluiu.

Lembro que eu tinha escrito algumas músicas meio reggaes, andava experimentando novos estilos desde aquela fugida psicodélica pra Arambaré. O Cauê tinha uma pegada muito irada de Ska Punk na batera, e então logo adaptamos os sons para uma pegada mais ska.

Foram poucos minutos e lá estávamos nós tocando ska. Lembro até hoje, me desculpem pelo linguajar, mas foi ‘do caralho’.

Ali foi como se uma leque de coisas se abrisse a minha frente. Vi que eu tinha infinitas formas de passar a minha mensagem, e que algumas outras formas até se encaixavam mais com o meu ‘eu interior’, com toda a minha estrada até aqui, tudo que eu ouvi e vivi durante todo tempo que se passou.

Lá estávamos nós, tocando ska, dando risadas, e criando, criando muito. Foi assim que surgiu a banda ‘Iskas’. Baseada na união de 3 amigos, baixo, guitarra, batera e muita energia

Acho que nunca definimos o que queríamos com essa banda. Era irado tocar com esses dois grande amigos meus, fluía bem, era divertido demais, as músicas eram boas, mas sinceramente nunca pensamos em algo muito além disso, ou até pensamos, mas não fizemos.

Dessa banda e nessa formação que surgiu umas das músicas que faz parte do CD “Funky Jamaican Ska “da TRIATHLON. A música “Una Chaura” foi umas das últimas que compomos na “Iskas”, e que logo que a TRIATHLON surgiu foi uma das primeiras músicas a trabalharmos.

Por essa época também veio outro projeto, o ‘Maiestas’. Banda que montamos meio sem compromisso com meu cunhado e ‘hitmaker’ Daniel Luft. Era uma galera: baixo, batera, guita, percussão, violão, 2 backing vocals e ele nos vocais. Tocávamos composições dele, reggaes meio puxados pro surf music, na maior ‘vibe’. Curtia muito fazer aquele som. Era uma onda mais diversão, embora as músicas dele tenham alto nível de voarem soltas pelo mundo.

A “Maiestas” nunca terminou, tá aí até hoje. Embora faça tempo que não toquemos, a qualquer momento podemos nos pilhar, reunir a galera e ir pra um pico ensaiar, tocar e fazer acontecer. Não sei quando, mas com certeza, isso ainda vai acontecer.

Bom, nesse resumo ‘violento’ que foi essa ‘série’ de posts (3 partes até agora), finalmente chegamos à TRIATHLON. De onde é que veio essa parada?! Qual era o propósito do projeto?!

Na sequência conto mais….

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