Um pouco da caminhada até aqui (parte 2)

Um pouco da caminhada até aqui (parte 2)

Vamos continuar…

Então, tenho um post antigo que fala da S.ou.S, um momento marcante nessa caminhada. Mas agora me lembrei de outra banda que surgiu antes dessa, um projeto paralelo que surgiu quando a Insana ainda existia. Claro, voltarei a falar da S.ou.S, mas vamos na ordem.

Antes da Insana ‘terminar’, eu e o Bruno Coronel tínhamos a ideia de montar um outro projeto com uma menina nos vocais. Era mais uma das nossas ideias, não corremos atrás disso nem nada. Mas um dia sem pretensão fomos ao antigo Manara num festival de bandas, que o Vinícius Boa Nova iria com a antiga HCO3. Vimos alguns shows massa, e em certo momento nos deparamos com uma banda legal, que tinha uma menina nos vocais e tocava guitarra. Na hora tudo brilhou, e vimos que aquela nossa ideia vaga podia se transformar em algo concreto.

A menina essa era a Bibiana Afonso, mais conhecida por Bibi. Não conhecíamos ela, mas nos interessamos e fomos falar com ela. Acho que no inicio ela ficou meio ‘espiada’, mas curtiu a ideia. Problema: ela tinha acabado de montar uma banda pra tocar no festival, e nós estávamos convidando ela pra montar outra banda.

Bom, chamamos o Diego Paz pra tocar baixo, eu nas guitarras, Bruno na bateria e ela na outra guita e vocal. Fomos fazer nosso primeiro ensaio, e fluiu, e muito.

Nós eramos 3 jovens de 17 anos vindos do Hardcore politizado, e ela era uma menina talentosíssima que vinha duma onda talvez mais leve que a nossa. Mas a mistura ficou massa. Um hardcore melódico, pegado, com a nossa rebeldia, e o toque elegante e sincero que ela passava, era só alegria.

Após esse ensaio ela resolveu felizmente ficar com a gente. A banda se chamava Skyrox, nome dado por ela, e que levava o mesmo nome da banda que presenciamos no festival no qual ela tinha montado. Seguimos com esse nome, e começamos a criar sons, tirar musicas. Logo gravamos nosso primeiro single que se chamava “Agora é pra valer”. A música foi muito bem recepcionada pela galera. Tu podia ver as pessoas cantando nos shows, de ‘cabo a rabo’, era sensacional isso.

Chegamos a gravar mais alguns sons, fizemos alguns shows, inclusive a ‘abertura’ do show da NX Zero (quem diria hehehe). Ganhamos um festival que depois de muita peleia conseguimos pegar o prêmio, mas infelizmente recebemos um cheque sem fundo, e a produtora sumiu do mapa. Velhos tempos de produtores pilantras que socavam 20 bandas num evento, faziam as bandas venderem ingressos, cobravam, exploravam pequenos sonhadores que estavam dispostos a fazer de tudo pra tocar e mostrar seu trabalho.

Bom, por fim comecei a entrar em outra vibe. Curtia pra caralho fazer o som com a Bibi, todos curtiam, mas muitas vezes as letras escritas por ela não passavam exatamente a nossa vibe, eram letras muito boas, com certeza, mas não era exatamente o que nós 3 queríamos passar. Sendo assim tentamos emplacar uma carreira solo dela, claro, nós como músicos dela, e ela como a artista principal, e formidável que era e é até hoje. Mas infelizmente ela não curtiu a ideia, e acabamos por nos separar.

A Bibi seguiu a estrada dela, e nós a nossa. Ela montou outra banda irada, chama Remy, fizeram bons trabalhos, e hoje está com o projeto “Pra Sempre Outono”, num estilo mais leve, voz, violões, e muita qualidade.

E foi depois do ‘término’ destes dois projetos que andaram em paralelo, Insana e Skyrox, que veio a S.ou.S (foto show).

Conhecia o Vinícius Boa Nova a um tempo, e queríamos fazer um som juntos. Primeiramente iríamos fazer covers de Belvedere, banda foda de Hardcore pegado. Não rolou. Daí pensamos em fazer versões HC de músicas pops nacionais. Outra ideia meio furada, que não ia vingar. Chegamos a ter a maluca ideia de fazermos versões de musicas gauchescas em HC, mas também não rolou. hehehe… Até o dia que resolvemos fazer a nossa música, do nosso jeito, com a nossa pegada, nossas letras, nossa energia.

E foi assim que esse projeto maluco começou. A união de 4 caras loucos por música, que se reuniam pra fazer ensaios de 4 horas nas madrugadas, regados a whisky e outras ‘coisitchas pesadas mais’. Distorção, bateria pegada, pscicodelia, 3 vocais, energia, muita energia, e claro, sinceridade. Isso tudo era a S.ou.S. Não tínhamos estilo nem rótulos. Fazíamos o nosso som da forma que ele saísse, pra nós mesmos, pois aquilo nos dava vida, era nossa liberdade, nossas inspirações, tudo ali, misturado.

Eu costumava dizer que a S.ou.S era um “Rock Nervoso’. Pois era um realmente um tapa na cara. Não tínhamos pudores, falávamos o que tínhamos que falar da forma que fosse, e foda-se o mundo. Era assim, bem assim.

Além disso, o instrumental acompanhava a letra e a mensagem, uma parte de uma música mais triste tinha arranjos melancólicos, uma parte da letra de revolta tinham arranjos pesados, e a explosão vinha com um peso e uma energia sonora que só quem conheceu e presenciou aquilo pode entender. E claro, muitas vezes tinha tudo isso na mesma música. Isso era S.ou.S.

Nunca, nunca mesmo, depois de definirmos que seriamos uma banda autoral, sequer pensamos em tocar algum cover. Cover!?!? O que é isso?! Pra que?! Nós queríamos passar a nossa mensagem, era isso que importava. Tu podia curtir, odiar, não interessava pra gente, estávamos ali cumprindo nosso papel como artista no mundo, sinceros, nus na frente do público.

Esse foi o período onde posso dizer que eu sentia aquela energia me dominando, duma forma que acho difícil acontecer de novo. Claro, sinto a música que faço hoje e amo demais, e isso será eternamente assim, mas aquela energia violenta e pesada só a ‘S.ou.S sol irmãos’ pode proporcionar. Uma experiência sonora maluca, recheada de sensações, expressões e mentes pensantes. Éramos rock stars sem glamour, sem dinheiro, loucos e que certamente botavam tudo pra quebrar.

A S.ou.S nunca terminou. Entrou em um ‘hiato indefinido’, foi uma etapa importante da vida dos 4 músicos que ali se reuniam para trocar energia e explorar o que tinham de melhor. Acho que chegou certo momento que essa energia era tanta que nós já não dávamos conta, ou sei lá, simplesmente um dia paramos, e foi assim.

Bom, após essa experiência louca, veio outra banda, a ‘Iskas’. Essa fica pra sequência, por hoje ta bom neh!

Dalheee….

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