Vivendo…

Cresci assistindo peças de teatro na Casa de Cultura Mário Quintana. De peças infantis, adultas, performances, tudo que se pode imaginar. Sempre vi muita mágica naquilo, me encanta essa bela forma de expressão que te leva para uma outra realidade, te faz buscar coisas do teu passado, teu futuro, realidade, ficção, é um leque de possibilidades que no momento que a cortina se abre tu faz parte daquilo. Ao meu ver, o teatro não se repete, cada momento nele é único, uma cena hoje nunca vai ser a mesma amanha, então, naquele momento ali o ator, diretor, contra regra, público, todos entram em uma dimensão paralela, que só que está presente ali tem a oportunidade de participar.

Essa troca direta me cativa. Hoje tive a oportunidade de participar de uma peça infantil, não atuando, pois minha arte é outra, mas fazendo o som da peça. Foi uma experiencia maravilhosa. O olhar daqueles pequenos seres, crianças que ainda desconhecem o mundo lá fora, aquele brilho nos olhos, aquelas gargalhadas, aquelas ‘carinhas’ de assustados em um momento mais ‘tenso’ da peça, nossa, é pura magia, pura energia, tudo de bom. 

Já indo um pouco mais longe, tem uma frase do Chaplin que sempre me cativou: “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.”

É aqui que queria chegar. Acredito que todos temos um ator dentro de nós, que dependendo da situação colocamos ele em ‘prática’. Seja um atraso a toa no ‘trampo’ que tu tem que desconversar, seja um dia que tu não ta legal mas tu não quer mostrar pras outras pessoas, ou tem que subir num palco e passar a ideia de que esta tudo bem, a vida é assim. Existem os dias bons, os dias ruins, os dias que tu quer esquecer e os inesquecíveis.

A vida é uma caixa de surpresas, um espetáculo sem roteiro, onde tuas atitudes, tuas escolhas que vão ditar o desenrolar da história. A diferença entre a vida e o teatro, no meu ponto de vista, é que na vida tu é encenador e espectador. Todos momentos que tu vive, mesmo compartilhados, serão sempre únicos para ti, tu terás a tua visão sobre ele, sobre a tua ‘atuação’ e sobre como tu ‘atuou’ naquele momento.

O ponto é: como anda este espetáculo? Me pergunto as vezes sobre minhas escolhas, sobre minhas atitudes, sobre meus sonhos. E acho que todo mundo deveria as vezes se perguntar tudo isso, mas não apenas pensando no seu próprio ‘EU’, como ‘encenador’, mas também como o ‘espectador’. Viver é uma troca assim como no teatro, e, sendo assim, as pessoas ao teu redor fazem parte do teu espetáculo,

O teu ‘monólogo’ muitas vezes pode estar sendo produtivo para ti, e com os outros demais?!  A vida é um compartilhamento de histórias, experiências, onde no momento que tu não souber o teu próprio caminho, tu pode acabar desvirtuando o caminho de outra pessoa próxima a ti.

Então, penso eu, sejamos honestos com nós mesmos, vamos ‘atuar’ em prol uns dos outros, vamos compartilhar nossas vidas de uma forma que nessa troca todos tenham a oportunidade de lutar com todas as suas forças para que no dia que a cortina se fechar sejamos aplaudidos.

 

 

 

 

 

 

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